Graça

Este artigo faz parte de uma série de cinco partes sobre os valores do High Noon:

Honestidade
Graça
Integridade
Responsabilidade
Coragem


Contribuição de Andrew Love

A Graça é o fluxo do amor.

Está fluindo de Deus o tempo todo, mas quando fechamos nossos corações não a recebemos. Quando a bloqueamos de entrar, também não temos nenhuma para dar para os outros.

Estamos destinados a deixar o amor fluir naturalmente dos céus para a Terra. Quaisquer barreiras são de nossa estrita responsabilidade de resolver. Existem barreiras/bagagens históricas que herdamos de nossos antepassados, barreiras culturais, barreiras familiares, etc. Independentemente do que temos em nós que nos impeça de deixar o amor fluir naturalmente através de nós, continua a ser nossa responsabilidade eliminar essas barreiras.

Considere que o amor seja como a melhor onda de rádio imaginável. Quando estamos sintonizados, a música mais maravilhosa é transmitida e somos cativados pelo que ouvimos. A transmissão é perfeita, mas nós, como receptores humanos, muitas vezes temos problemas com estar na estação certa e não experimentarmos a frequência do amor com muita clareza.

O amor de Deus é uma força que está constantemente ao nosso redor. A graça é o que permite nos conectarmos com essa força. É o que nos traz de volta à frequência certa. Somos nós que fechamos os nossos corações. Somos nós que nos torturamos revivendo os erros do passado. Somos nós que julgamos os outros e paramos o fluxo de amor, e a graça permite que esse fluxo retorne.

Há dois tipos de graça em que o High Noon se concentra. Uma é receber e a outra é dar.

Quando você pensa sobre isso, é realmente impossível dar graça de qualquer forma significativa, a menos que você mesmo a tenha experimentado. A razão é que se alguém está com dificuldades para amar a si mesmo, ele se fecha à experimentar seu verdadeiros valor. Como o ditado diz “Você não pode dar o que não tem”. Isso significa que o amor que você dá para os outros vem do seu coração, mas se seu coração está vazio, então não há nada que você possa realmente oferecer a não ser uma expressão muito limitada do amor de Deus.

Nosso amor sempre terá limitações. Sempre haverá alguém que desafiará sua habilidade de aceitar, apoiar, reverenciar, mas ao conectar-se na Graça de Deus, você terá o poder de transcender as barreiras do seu coração. Nossa vitória sobre nossas limitações de amar permite-nos oferecer aos outros a oportunidade do amor incondicional que deveríamos sentir quando éramos crianças. Isso é algo que está muito além das capacidades de qualquer indivíduo, porque o amor que transcende é maior do que qualquer um de nós.

É fundamentalmente importante primeiro aprender como receber a graça para oferecê-la livremente aos outros. Devemos conhecer a graça, sentí-la, aprofundarmos nela, acostumarmos com sua presença. Quando a graça se torna nosso padrão, então seremos o tipo de pessoa que é a força total do bem para nosso Pai Celestial.

Muitas pessoas pensadoras e inteligentes lutam com o conceito de graça porque sentimos que se cometermos um erro, merecemos ser torturados. Eles sentem que merecemos experimentar a dor de nossos erros. É assim que sentimos mais frequentemente em relação a nós mesmos e é assim que a sociedade também funciona.

Se alguém nos causa dor, ele também deve experimentar pelo menos a quantidade equivalente de dor. É um conceito que está presente no Velho Testamento. Um ‘olho por olho” e ‘orelha por orelha’, um ‘dente por dente’, uma ‘face por  face’… Você me machuca, eu te machuco. Essa é uma forma de vida muito primitiva.

Jesus nos deu uma atualização do amor ao introduzir o conceito da graça. Ele exemplificou esse modelo ao oferecer perdão para todos aqueles que ele encontrou. Embora os portões da graça estejam abertos há mais de 2000 anos, até hoje as pessoas têm dificuldade em passar.

A graça está disponível para nós o dia inteiro, todos os dias. Mas é algo que nós não damos espaço em nossa vida diária.

Frequentemente vivemos presos pelos nossos baixos instintos e cérebro primitivo. Revivemos erros do passado, repetidamente experimentamos dores passadas, e focamos em todas as possibilidades negativas que possam surgir do nosso sofrimento.

Especialmente para os idealistas.

Quando temos um ideal muito profundo em nossos corações, podemos nos tornar muito críticos sobre qualquer coisa que se interponha no caminho desse ideal. Se falhamos me viver de acordo com esse ideal, é fácil acabar num estado miserável. Quando outros ferem nosso ideal, é muito familiar para nós querermos que eles sofram muito por suas transgressões. Por exemplo, quando alguém insulta Deus, queremos que ele sofra as consequências de sua incredulidade. Quando alguém fere nossa família, queremos que eles paguem um preço.

Mas se olharmos pela ótica de que só existem duas formas de funcionamento: estamos vivendo num lugar ou de amor ou dor. Todos os medos, todas as dúvidas, todo o ódio, todos os rompimentos, todas as divisões e ceticismo vêm de um lugar de dor.

Então, como alguém que causou dor poderia receber a dor como preço a pagar? Para que servirá isso? Essa é a versão humana de “justiça”. Sentimos que se a pessoa que perpetua o sofrimento recebe mais sofrimento, as coisas vão se equilibrar de alguma forma. Nada se resolve neste lugar de dor, só se prolonga o sofrimento para todos.

É só o amor que pode curar a dor.
É só o amor que pode trazer nos de volta ao nosso estado natural, que é o amor.
Assim como não há substituto para o oxigênio, que alimenta nosso corpo físico, o amor alimenta nossa alma.
A dor não pode resolver o medo.
O medo não poder resolver a dúvida.
O julgamento não poder resolver nada.

É o momento em que decidimos perdoar àqueles que não se perdoariam que a cura se dá. É permitir que alguém tenha a oportunidade de experimentar o perdão, quando tudo o que ele pode fazer é desprezar a si mesmo, que o caminho até a libertação se abre.
O perdão de nossas mentes e corações nunca serão suficientes o bastante para resolver o conflito dentro do nosso lugar mais profundo.

Quando sentem profundamente em seus ossos que Deus os perdoa é quando as algemas de seu próprio ódio serão cortados, e quando alguém pode fazer uma mudança sísmica em direção à esperança.

Este foi São Paulo, na Bíblia, que deixou de ser um assassino para ser um gerador de vidas. Ele deu vida ao Cristianismo que conhecemos hoje. Temos uma grande dívida de gratidão para com ele. Mas para ele não foi uma decisão intelectual deixar de ser um assassino de cristãos para ele próprio se tornar um cristão. Ele foi atingido por um golpe tão grande da graça de Deus que finalmente caiu de seu alto cavalo.

Pense sobre quantas pessoas estão vivendo na sociedade hoje – presas debaixo de uma montanha de auto lamentação, incapazes de respirar o ar da graça.

Imagine por um momento que você seja capaz de oferecer a alguém em tal situação as chaves que abrirão as correntes que o conectam a seu passado doloroso. A maioria acredita que não tem esse poder, mas todos nós temosO TEMPO TODO.

Por isso, como idealista, é de fundamental importância que possamos experimentar a graça ao máximo, diariamente e até de hora em hora. Só assim manteremos a graça fluindo dos céus para a terra.

Se a sua boca está falando mas seu coração não está conectado, então você não tem poder. A conexão elétrica entre nossos corações e o coração de Deus nos dá o peso do cosmos, e podemos alterar o destino das pessoas que encontramos quando falamos de tal lugar.

Para experimentar a Graça, primeiro precisamos descobrir onde estamos nos aprisionando, onde estamos presos pelas dúvidas do passado.

Quando temos a consciência de entender nossos erros, a humildade de buscar o perdão, e a determinação de dar espaço para a graça ocorrer, estamos nos tornando antenas que certamente atrairão a frequência da graça.

Perdão espiritual é algo que podemos oferecer a todos quando estamos num estado de perdão. Então, o primeiro estágio é se encontrar em tal estado. Ao sermos perdoados, iremos irradiar graça e naturalmente oferecê-la àqueles que conhecemos.

No fim do dia, nosso pai celestial quer que sejamos plenamente formados como vasos de amor eficientes e eficazes. Somos destinados a nos tornarmos completamente maduros, completamente desenvolvidos como seres amáveis, criativos e poderosos.

Uma força contrária deseja que nos rebaixemos, nos encolhamos e nos tornemos seres fragmentados, impotentes, que buscam a aprovação no mundo ao nosso redor e não na fonte da vida e amor em si. Quando buscamos crescimento e recuperação do mundo material, sempre acabaremos sendo escravos de uma necessidade fraca e temerosa de sermos aceitos não por quem somos, mas por quem queremos que os outros notem. Ser humanista com nosso amor é DESEJAR bem aos outros, mas com uma incapacidade fundamental de transformar suas almas eternas, pois atrapalhamos o fluxo natural da graça.

Por mais que gostaríamos de dizer a outras pessoas para pararem de se sentir tristes ou simplesmente “superar”, elas não serão capazes de fazê-lo a menos que sintam uma força mais poderosa puxando-os para longe de seu sofrimento, do que aquela que os escraviza.

Nós temos esse poder.
Podemos salvar vidas e alterar os destinos de qualquer pessoa com quem entramos em contato.
Podemos fazer do céu uma realidade nessa terra – mas só quando sairmos do caminho e deixarmos o amor fluir através de nós como GRAÇA.

 

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